De todos os pontos que olha a crise, o consultor Waldez Ludwig observa o descompasso entre o real e o virtual. O consultor de empresas acredita que a confusão dos que acharam que o dinheiro virtual existia de verdade “deu um nó no sistema”. Mas essa não é a vertente que Ludwig prefere usar para explicar o colapso financeiro. Pesquisador do comportamento do consumidor, o consultor analisa o quebra-quebra mundial pelos desejos dos jovens norte-americanos. A mudança nos hábitos de consumo deste público transformou o mercado, mas apenas algumas empresas foram capazes de entender a nova onda. Na internet - onde fortunas são construídas em milhões de cliques - ou na crise do mundo real, ganha quem inova mais, e mais rápido.
A preferência por tecnologia do jovem contemporâneo explica como empresas como a Apple, criadora de hits tecnológicos como o Ipod e Iphone, ganham com folga em inovação e lucro se comparadas com senhoras como a General Motors. “A GM, por exemplo, projetou carros para os filhos de uma geração passada que nem se importa com carros novos. O que eles querem é um computador potente ou um Iphone”, explica Waldez.
A queda pelo mundo digital também abalou fabricantes de roupas e brinquedos. “Os jovens, de qualquer classe social, vão deixar de comprar um Ipod para comprar roupa nova?”, questiona.
Ganha quem inova
O consultor, também psicólogo e ator, é um dos conferencistas mais assistidos do País. Mais de 700 mil o viram ao vivo e seus vídeos no YouTube foram acessados quase 900 mil vezes. “Existe uma diferença de comportamento na história humana diante de crises”, explica Ludwig, que desistiu da carreira de analista em uma grande empresa porque se considerava “mediano”. “Não há receita de bolo para momentos de crise. A única certeza é que a situação favorece os inovadores, aqueles que se saem melhor em transformações”, acredita.
Sobre a ganância dos investidores de países desenvolvidos, difundida mundo afora como um cimento da crise dos mercados financeiros, o consultor é direto: “Ganância existe no primeiro, no segundo, no décimo mundo! Os mais espertos aproveitaram esse defeito no sistema - o descompasso entre virtual e real na economia - para ficar mais ricos e acabaram perdendo muito. Hoje vi no jornal sobre investidores que perderam 50% do que aplicaram na bolsa. Fiquei até com dó deles. Se ontem eles tinham 50 bilhões, hoje só tem 25”, ironiza Ludwig.