Os signos do Cooperativismo
As
instituições internacionais, os movimentos mundiais e as organizações
multinacionais têm, em comum, o uso de signos utilizados intensamente
como instrumento de identificação, difusão e afirmação de seus
objetivos, fins e missão. Quanto maior e mais ampla a instituição, mais
intenso e permanente o emprego desses símbolos. A ONU, a Igreja, o
Exército, a Maçonaria, o Rotary, o Lions são exemplos de organizações
humanas que fazem dos signos elementos essenciais de sua própria
história, onipresentes em sua caminhada.
O cooperativismo,
movimento que nasceu, como doutrina estruturada, na Inglaterra em 1844
e mudou a face das relações econômicas nos cinco continentes, construiu
seus signos e os empregou com sucesso nos últimos séculos, tanto para
expandir seus postulados, quanto para robustecer suas bases sociais.
Mais
de 750 milhões de pessoas, no mundo, identificam, respeitam e protegem
os dois pinheirinhos (símbolo da fecundidade, imortalidade),
emoldurados por um círculo (vida eterna), esculpidos em verde
(princípio vital da natureza) e amarelo (sol, luz, energia e calor).
Essa singela composição sintetiza um magnífico ideário de solidariedade
e ação proativa notabilizada nos princípios de adesão voluntária,
gestão democrática, participação econômica, autonomia, educação,
formação & informação, intercooperação e interesse pela comunidade.
Apesar de toda a riqueza histórica e icástica e de tudo o que
representam os signos do cooperativismo, é desconcertante verificar
como muitas cooperativas – habitualmente por obra e arte de alguns
marqueteiros de rala cultura associativista – mudaram suas logomarcas e
delas baniram os elementos mundiais da cooperação. As explicações mais
recorrentes se fundam na “necessidade” de modernizar a marca da empresa
(cooperativa), dentro de uma série de ações mercadológicas, para,
supostamente, melhorar o desempenho comercial e obter outros ganhos.
Nada
mais insubsistente do que isso. Apesar da vetustez do ideário, as
cooperativas, via de regra, são empresas modernas que acompanham as
conquistas das ciências e estão atualizadas com os avanços da
Administração (onde circunscreve-se o marketing) e da Economia. O
grande desafio do administrador é separar os modismos de cada verão dos
reais instrumentos de gestão e desenvolvimento organizacional. E em
matéria de modismos e falsas premissas nenhuma outra atividade é tão
pródiga quanto o marketing e a comunicação.
As cooperativas
podem, sim, modernizar suas logomarcas, utilizando novos e arrojados
conceitos de comunicação visual, mas não é sensato despojá-las de TODOS
os elementos que consagram um dos signos mais amados do Planeta – o
emblema internacional do cooperativismo. Mais frustrante ainda é
constatar que as “novas” marcas dessas cooperativas que desprezaram os
símbolos históricos são peças sem fundamentação e significado, sem
força e sem impacto, incapazes de comunicar por si só a natureza da
atividade da instituição que representam. Geralmente empregam sinais
gráficos, cores, imagens e formas que não guardam nenhum liame com o
que pretensamente representariam.
As pesquisas mostram que
logomarcas artificiais, sem história e sem fundamentação têm vida
curta: os públicos internos e externos acabam por rejeitá-las e
expungi-las do imaginário popular. Acredito que as logomarcas das
cooperativas podem ser mudadas, desde que se adote uma linha evolutiva,
com preservação de alguns elementos basilares e não a radical negação
de séculos de História.
Fonte: Marcos Bedin - Jornalista